terça-feira, 1 de julho de 2014

ALGUÉM PRECISA PROTESTAR CONTRA O INSS

Alguém precisa protestar contra o INSS.
Alguém precisa se indignar contra o INSS.
No dia 30 último, Agileu Alves, mecânico de Itiruçu compareceu à agência do INSS de JEQUIÉ para uma perícia medica que fora marcada no dia, atentem bem, 24 de maio de 2014. Ou seja, 36 dias antes.
Agileu sofreu um acidente de trabalho, fraturou a perna e está sem poder trabalhar. Recorreu ao INSS para receber o auxílio doença. Sabe quanto Agileu deverá receber, se o INSS aceitar que ele não poderá trabalhar? Um salário mínimo: R$ 724,00 durante o período que ficar “encostado”.
Hoje é primeiro de julho e Agileu está sem trabalhar a mais de um mês. Agileu é autônomo, ou seja, não tem patrão. A mais de um mês está sem trabalhar, portanto está sem renda. “Segurado” do INSS espera receber o auxílio doença enquanto não puder trabalhar.
Pois bem, no dia 30 de junho, saiu de Itiruçu, cedo para não perder a hora marcada: 13:20; com a perna quebrada foi acompanhado da esposa Inha e do sobrinho Edvaldo. Chegando a Jequié às 11 horas ouviu do funcionário recepcionista que o médico perito não compareceria aquele dia para executar seu trabalho que é periciar pobres trabalhadores em busca do indispensável auxilio doença para tocar as suas vidas. O INSS sequer marcou a data da nova perícia.
O médico perito, (quanto será o salário de um médico perito do INSS?), que não compareceu ao trabalho, provavelmente não terá seu ponto cortado e terá ao final do mês o seu salário completo (quanto será o salário de um médico perito do INSS?) depositado na sua (normalmente gorda) conta bancária.
Agileu e outros trabalhadores que estavam na agência do INSS de Jequié na Bahia, naquela fatídica segunda-feira, dia 30 de junho de 2014 não terão nenhum centavo depositado nas suas (normalmente magras) contas bancária porque um médico irresponsável não compareceu ao trabalho. Será mais um mês de angústia e dificuldades para Agileu e outros trabalhadores que ficarão, ainda, sem o necessário auxílio doença a que têm direito.
Alguém precisa se indignar contra o INSS e seus funcionários irresponsáveis.
Alguém precisa protestar contra o INSS e seus funcionários irresponsáveis.



domingo, 29 de junho de 2014

ENQUANTO WAGNER NOVAES FAZ O PIOR SÃO PEDRO DA HISTÓRIA DE ITIRUÇU, MARACÁS PROGRAMA PARA O DIA 16 DE AGOSTO UM FESTIVAL DE INVERNO

Estão confirmados no Festival de Inverno de Maracás deste ano  de 2014, Geraldo Azevedo e Jau.
E agora, o que Wagner Novaes tem para oferecer aos jovens de Itiruçu?
O São Pedro que ele patrocinou, com verbas da PETROBRAS, FOI UMA INDECÊNCIA.

A FESTA DE WAGNER - UMA HUMILHAÇÃO PARA O POVO DE ITIRUÇU

A tradição do São Pedro de Itiruçu é trazer grandes nomes da música brasileira, nada contra os bons artistas locais que se apresentaram na Vila Tiririca. Mas as estrelas como Elba Ramalho, Fagner, Leonardo, Amado Batista e outros é que trazem turistas de todos os quadrantes do Brasil para nosso município.
Wagner humilhou nosso povo com esta festinha!
SÃO PEDRO DE ITIRUÇU 2014 - FOTO DE WILSON NOVAES
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WAGNER NOVAES FAZ A PIOR FESTA DE SÃO PEDRO DE TODOS OS TEMPOS DE ITIRUÇU.

A Festa de São Pedro deste ano de 2014, foi a pior festa de todos os tempos, desde que foi criada nos anos de 1960 pelos diretores do Clube (SLRI) Dr. Roque Brocchini, Luiz Gomes, Dr. Antenor e outros.
O atual prefeito desrespeitou a tradição da cidade fazendo uma festa com banda só.
Como era de se esperar foi uma decepção.

SÃO PEDRO 2014 - FOTO WILSON NOVAES

sábado, 28 de junho de 2014

NEYMAR NÃO JOGOU NADA. POR ISSO O BRASIL SOFREU.

Ficou evidente neste jogo que o Brasil precisa de Neymar, assim como o vampiro precisa de sangue para continuar vivo.
Vamos lá Neymar, o Brasil precisa de você.

BRASIL NÃO JOGOU BEM. MAS CHILE NÃO MERECIA GANHAR.

A seleção brasileira fez a pior partida da Copa 14.
O Chile, também, não jogou nada. Por isso não ganhou.
Ganhamos, nos pênaltis. Seria injustiça a seleção ser eliminada neste jogo.
Júlio César está redimido da derrota contra a Holanda na copa de 2010. Acho que o gol sofrido hoje contra o Chile ele poderia ter evitado. Mas nos pênaltis ele foi o herói do jogo.
Prá frente Brasil!

terça-feira, 24 de junho de 2014

ENFRENTAR O CHILE É BEM MELHOR QUE ENCARAR A HOLANDA.

O Chile é nosso freguês. Ganhamos deles, inclusive, na Copa de 1962, realizada em campos andinos. Ganhamos dos donos da casa por 4 a 2, com 2 gols de Garrincha e 2 gols de Vavá. Naquele anos fomos bicampeões mundiais de futebol.
A Holanda, bem, é osso duro de roer. Perdemos em 74 na copa da Alemanha por  2 a 0 e também fomos eliminados em 2010 na África do Sul, depois de estar ganhando, perdendo por 2 a 1. Ganhamos em na copa do Estados Unidos em 1994 por 3 a 2, gols de Romário, Bebeto e Branco cobrando falta e na copa da França em 1998, nos penaltis, depois de empatar no tempo regulamentar por 1 a 1, gol de Ronaldo, o Fenômeno.
Pelo retrospecto o Chile é bem melhor.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

COPA DO MUNDO: BRASIL VENCE CAMARÕES POR 4 A 1.

O futebol é a única atividade que une todos os brasileiros de norte a sul, de leste a oeste.
Veja só a felicidade estampada em todas as pessoas, independe  de classe, nas telas das televisões depois de mais uma vitória da seleção.
Viva o futebol!

Ele é a liga que está formando a nação brasileira.

terça-feira, 11 de março de 2014

PROFESSORES DE ITIRUÇU PROTESTAM NAS RUAS CONTRA O DESRESPEITO DO PREFEITO WAGNER NOVAES PARA COM A EDUCAÇÃO.


Representantes dos professores de Itiruçu fizeram uma passeata de protesto contra o prefeito Wagner Novaes que vem tratando muito mal a educação de Itiruçu. Muitos deles saíram com um nariz de palhaço para simbolizar o descaso de Wagner para a educação. E trajando roupas pretas, indicando a morte da educação de Itiruçu. Assassinada por Wagner Novaes e sua política para o setor educacional.

A APLB – Sindicato dos professores convocou o ato de protesto porque o prefeito não tem dado a mínima importância à educação do município.
As aulas no município só se iniciaram no dia 10 de março.

Um terço das férias que deveria ter sido pago desde janeiro, ainda não foi pago até agora.

A progressão funcional, que é a mudança de nível através da entrega de certificados conquistados pelos professores, promovendo o estímulo profissional, está paralisada desde o início do governo Wagner Novaes.

Não há reajuste salarial. A Lei do Piso não é cumprida. Não há abertura de diálogo com o prefeito, tão solicitado pelos professores.

Não há transparência com a aplicação dos recursos do FUNDEB.
Lamentam os professores a falta de apoio dos vereadores a tão importante movimento levantado por eles, que visa a melhoria do ensino em ITIRUÇU. Não compareceu nenhum vereador à passeata de hoje.






segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

No palanque tudo é fácil

Editorial do Estadão em 22/02/2014

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,no-palanque-tudo-e-facil,1133192,0.htm

A presidente Dilma Rousseff acha que é "simples" enfrentar a seca no Nordeste.
Em discurso no Piauí, durante mais um dos eventos do calendário eleitoreiro do governo, Dilma declarou que o segredo é "conviver com a seca".
Façamos um esforço para acompanhar seu raciocínio. Segundo a presidente, "a seca não é uma maldição, a seca é uma ocorrência, é algo que ocorre", comparável aos "invernos rigorosos" dos países do Hemisfério Norte, que "duram seis, sete meses, todo ano, chova ou faça sol". Conceda-se que o tal inverno rigoroso que dura "sete meses" seja apenas um arroubo retórico para reforçar seu argumento. Mas Dilma continua, animada: "Eles têm um inverno forte, que acaba com toda a produção, a neve mata tudo o que cresce, e eles sobrevivem muito bem, obrigada, e fortes. Nós também podemos enfrentar a seca, sim".
Dilma descobriu agora que "a seca não deve ser combatida". Em lugar disso, é preciso haver "ações emergenciais" para ajudar os agricultores a contornar os efeitos da estiagem enquanto as condições climáticas não melhoram. É a institucionalização do assistencialismo - e nesse campo, como de hábito, chovem apenas promessas.
Em novembro de 2012, quando o Nordeste enfrentava a maior seca em meio século, Dilma lançou o programa Mais Irrigação e garantiu que o sertão seria transformado em "um dos maiores produtores de alimentos que nosso país e o mundo necessitam" e que "a vítima da seca deixará de ser flagelado para se tornar um produtor rural". Os investimentos anunciados para tão ousado objetivo somavam R$ 10 bilhões.
Seis meses depois, em abril de 2013, Dilma esteve no Ceará para prometer um novo pacote contra a estiagem, no valor de R$ 9 bilhões. Desse dinheiro, R$ 3,1 bilhões eram o quanto o governo estimava deixar de arrecadar em razão da renegociação de dívidas de agricultores que tiveram prejuízos com a seca. Outra parte dizia respeito à prorrogação de programas assistenciais, o Garantia Safra e o Bolsa Estiagem. Havia, portanto, pouco "dinheiro novo" no pacote, formado basicamente por verbas já empenhadas, seguindo a tradição dos governos petistas de reciclar programas antigos para apresentá-los como novidade.
Mas isso não é tudo. A caríssima e controversa transposição das águas do Rio São Francisco, prometida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o "compromisso não de um presidente, mas de um retirante nordestino", tornou-se um autêntico elefante branco. Além dos seguidos atrasos em seu cronograma, a obra, se e quando estiver concluída, vai produzir água a um preço proibitivo para os pequenos agricultores, o que obrigará o governo a recorrer a subsídios, adicionando sacrifícios aos contribuintes.
Agora, em 2014, depois de tantas promessas, Dilma diz que é preciso aceitar a seca como um fato da vida, a exemplo do que fazem os agricultores do Hemisfério Norte ante a dureza do inverno. A presidente tem razão, mas há importantes diferenças. Em vez de prometer bilhões em "ações emergenciais" e em projetos que mal saem do papel, os países do Hemisfério Norte estimularam o desenvolvimento de avançadas técnicas agrícolas mesmo em pequenas propriedades, o que permite aos produtores retomar seu trabalho em alto nível após o inverno, reduzindo os prejuízos. Em relatório sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre a agricultura, a União Europeia diz que há uma "vasta gama de opções" para lidar com o problema, todas baseadas em tecnologia para prevenção. Considerar o inverno inevitável não significa aceitar, como uma fatalidade, as perdas decorrentes dele.
Ao dizer que é "simples" lidar com a seca no Nordeste, Dilma esbanja a mesma arrogância de seu criador, Luiz Inácio Lula da Silva, que, ao deixar a Presidência, disse que era "fácil" governar o Brasil. Quando se governa do palanque, tudo parece mais simples mesmo. Mas já passou da hora de tratar o centenário flagelo da seca no Nordeste com mais responsabilidade. Não se pode mais admitir que o sertanejo continue a ser tratado como mera commodity eleitoral, sempre à espera do caminhão-pipa.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O GUAPURUVU DERRUBADO PELO PREFEITO WAGNER




Leitor do Fazenda Tiririca manda foto do GUAPURUVU abatido pelo prefeito Wagner.
Vejam que conjunto harmonioso a árvore fazia com suas, digamos, “colegas”.
Parece um quadro dos mais renomados pintores.
Vejam como a sombra refrescante servia para amenizar o calor escaldantes dos últimos verões.
Levará algum tempo para substituí-la. Uns 10 anos pelo menos.
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

PREFEITO DERRUBA ÁRVORE DO JARDIM COM A CUMPLICIDADE SILENCIOSA DOS AMBIENTALISTAS DE ITIRUÇU

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O prefeito Wagner Novaes permitiu a derrubada de um belo exemplar de guapuruvu, que habitava o jardim desde a época do prefeito Pedrinho. A árvore foi abatida a golpes de machado, facão e foice. O crime aconteceu no dia 13 de janeiro de 2014.
O estranho foi a completa mudez dos ambientalistas de Itiruçu. Os membros dos grupos ecológicos que infernizam a vida dos agricultores, desta vez não emitiram um pio de protesto contra o crime ambiental, cometido pelo prefeito.

GUAPURUVU: planta nativa do Brasil é derrubada do Jardim Municipal pelo prefeito Wagner Novaes

Afinal, além da beleza e sombra que proporciona bem estar à população nos dias de calor, o guapuruvu é uma planta nativa. E como todos sabem as plantas nativas são proibidas de serem derrubadas.
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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Bahia: no estado brasileiro em que mais se mata, Força Nacional de Segurança cuida de… pelada!


Eis aí: Força Nacional de Segurança vigia os peladeiros de Buerarema (Folhapress)


No início deste mês, informa Severino Mota na Folha, os moradores da cidade de Buerarema, a 450 km de Salvador, decidiram organizar uma pelada, com o apoio da Prefeitura. Sob a proteção, acreditem, da Força de Segurança Nacional.
É isto mesmo: a tropa de elite federal fez a segurança de uma pelada. Na cidadezinha de 18 mil habitantes, há um efetivo da força em razão de conflitos entre índios tupinambás e fazendeiros. O Ministério da Justiça disse o óbvio: trata-se de um emprego irregular da tropa.
Lá vou eu. Segundo o Anuário de Segurança Pública com dados de 2012, a Bahia se tornou um dos estados mais inseguros do Brasil. A gestão do petista Jaques Wagner, em seu segundo mandato, é um desastre na área.
A Bahia tem a quarta maior taxa de homicídios do país por 100 mil habitantes: 40,7. Só perde para Alagoas, Pará e Ceará. Em 2012, com pouco mais de 15 milhões de habitantes, foi o estado com o maior número, em termos absolutos, de pessoas assassinadas: 5.764. Para vocês terem uma ideia, ganhou de São Paulo, onde há quase 42 milhões de habitantes..
Apesar desses dados escandalosos, é o segundo estado com o menor numero de bandidos encarcerados. Só ganha do Maranhão de Roseana Sarney. Na Bahia, há apenas 134,6 presos por 100 mil habitantes acima de 18 anos. Para comparar de novo: em São Paulo, são 633,1.
Assim, prende-se pouco na Bahia e mata-se muito. Mesmo com esse quadro de descalabro, a Força Nacional de Segurança deslocou homens para vigiar uma pelada de futebol.
Como a gente pode ver, a violência absurda no Estado não acontece por acaso. No século 17, o grande poeta baiano Gregório de Matos, numa crítica severa aos poderosos, mandou ver sobre a então “cidade da Bahia”.
Que falta nesta cidade?… Verdade.
Que mais por sua desonra?… Honra.
Falta mais que se lhe ponha?… Vergonha.
O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.
Por Reinaldo Azevedo

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

PARA 2014

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RODRIGO CONSTATINO EM SEU BLOG, http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/ , faz uma lista de desejos para 2014. Aprovo todos eles.


Que em 2014…

… o povo brasileiro possa acordar e finalmente se dar conta do mal que o PT tem feito ao país no poder;
… o Brasil seja campeão da Copa do Mundo, mas rejeite o ufanismo oportunista que virá em seguida;
… as graves acusações feitas pelo ex-aliado Romeu Tuma Jr. sejam investigadas e o “Barba” se torne réu de uma vez;
… livros ainda melhores com viés liberal ou conservador sejam lançados;
… os brasileiros vejam menos novelas e leiam mais livros;
… as mentiras da presidente Dilma não consigam mais enganar ninguém;
… os “malandros” que pegam acostamento recebam pesadas multas para aprender a respeitar as regras;
… os artistas e “intelectuais” da esquerda caviar tenham suas hipocrisias ainda mais expostas;
… todo esquerdista que defende a tese de que bandido é “vítima social” seja assaltado para sentir na pele sua estupidez;
… o tirano venezuelano caia do poder de maduro;
… os brasileiros parem de achar que a solução para a nossa educação passa por jogar mais recursos públicos no setor;
… os “médicos” cubanos trazidos como escravos tenham coragem de pedir asilo nas embaixadas americanas;
… algo efetivamente NOVO surja na política nacional dominada pela esquerda;
… o relativismo estético e moral dê lugar ao velho e bom julgamento objetivo do que é melhor ou pior;
… a meritocracia seja vista como o caminho da justiça em vez de o igualitarismo dos coletivistas invejosos;
… os investidores nas ações da Petrobras continuem a quebrar a cara para aprender que a privatização é o caminho;
… esse blog continue crescendo em taxas aceleradas e mantendo o bom nível de debates!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

AS SEMELHANÇAS ENTRE FERNANDO COLLOR E MARINA SILVA, SEGUNDO REINALDO AZEVEDO.

Reinaldo Azevedo faz no seu blog uma análise curiosa entre Fernando Collor e Marina Silva. Existem mais afinidades entre o comportamento político de ambos do que pode supor a vã filosofia.
A transcrição vai abaixo:

O TSE decide hoje o destino da Rede — ao menos para a disputa eleitoral do ano que vem. Qualquer que seja o resultado, Marina Silva participa da eleição se quiser. PEN e PPS já lhe ofereceram abrigo. O problema é que seria uma saída escancaradamente artificial, chamando atenção para algo que Marina faz questão de esconder: está tentando criar um partido com o propósito de se candidatar. Para quem fala em nome de uma “nova política”, nada poderia ser mais velho, não é mesmo?
Os “marineiros” não gostam que eu lembre, mas não posso fazer nada; os fatos gritam. Já houve um senhor antes dela que criou uma legenda com o propósito de servir a suas aspirações eleitorais. Seu nome: Fernando Collor de Mello. Seu partido: o PRN. Há diferenças, é certo, de conteúdo entre um e outro. Mas não há diferença de procedimentos.
Os respectivos discursos, sou obrigado a lembrar, guardadas as diferenças impostas pelo tempo, também têm lá suas semelhanças, embora Collor representasse, vamos dizer assim, uma espécie de messianismo destrambelhado à direita, e Marina, à esquerda. Ele também não queria conversa com políticos tradicionais — embora fosse, na origem, cria da Arena. A ex-senadora, do mesmo modo, esconjura as forças da tradição, embora, em muitos aspectos, ninguém seja mais tradicionalmente petista do que ela própria. Collor dava a entender que iria fazer e acontecer sem dar bola para o Congresso, que representaria, então, o velho Brasil contra o qual ele supostamente se insurgia. Marina, do mesmo modo, lastima que “o sociólogo (FHC) não tenha feito a reforma política, e o operário (Lula) não tenha feito a reforma trabalhista”, mas não diz como ela própria, se eleita, faria uma coisa ou outra sem o Congresso, com o qual, afinal, tanto o sociólogo como o operário tiveram de governar. Ou existirá outra maneira? Collor era do tipo que dava murro no peito. Marina parece nos dizer que bastará fazer um círculo, e a boa-vontade de homens e mulheres, então, se imporá.
Os “marineiros” não fiquem bravos. As semelhanças são evidentes, ainda que se possam atribuir a Marina virtudes verdadeiramente demiúrgicas e que Collor fosse apenas um destrambelhado. Uma coisa é certa: ninguém sabia direito o que ele queria para o Brasil, e ninguém sabe o que quer Marina. Nas vezes em que foi chamada a se posicionar sobre isso e aquilo, preferiu saídas retóricas que caem no gosto de alguns descolados, mas que nada dizem. Ainda me lembro daquela conversa de ela não ser “nem situação, nem oposição, mas ter posição”. Alguns disseram “Ohhh!!!”, como se estivessem diante de uma revelação. E sabem o que isso quer dizer? Apenas nada!
Sei que cobrar clareza de Marina vira, na política e na crônica, coisa de gente de maus bofes, que estaria querendo matar o novo. Já vivi o bastante para não cair nesse tipo de conversa. Vamos a um exemplo prático. O Brasil discutiu um Código Florestal. O texto defendido por Marina, se aplicado como ela queria, implicaria uma redução brutal na área plantada. Isso não é questão de gosto, mas de fato. A pergunta se impõe: o país poderia conviver com isso? Se eleita, ela tentaria mobilizar a máquina do governo para voltar a seu plano original? Reviu a sua posição depois disso? Ninguém sabe. Também não se conhecem suas opiniões sobre a economia brasileira, acertos e desacertos. A gente só deve entender que ela não concorda muito com o que está aí, mas também não discorda tanto.
Marina transita numa facilidade retórica, assentada, de resto, sobre uma falsa verdade. O problema do Brasil seria o permanente confronto entre PT e PSDB, e seria necessário romper essa dualidade. Ora, não existe nada mais estupidamente falso do que isso. Nos três mandatos do petismo, a oposição nunca foi capaz de fazer frente ao governo, que montou uma base de apoio gigantesca. Ouso dizer que a verdade é bem outra: o que falta no Brasil é mais polarização; o que falta no Brasil é mais clareza; o que falta no Brasil é que a oposição bata mais duro. Um dos erros dos tucanos, ao longo desses 11 anos, é justamente não ter radicalizado. O país não está meio paradão porque, sei lá, “republicanos” extremistas impedem o governo de tocar seus projetos. Uma das coisas que desgraçam o país é justamente o tamanho da base aliada. O problema principal do governo não é ter de enfrentar uma oposição organizada e coesa; o problema do governo é ter sócios demais. Assim, até mesmo essa Marina que viria como um tertius salvador nasce de uma falsa questão.
O TSE
Já deve ter dado para perceber que ela não é a minha preferida. Mas não é por isso que deveria ter negado o registro da Rede. Se acontecer, será por outra coisa. Não tenho, sobre esse particular, muito a acrescentar ao que escrevi na manhã de ontem. A Rede não cumpriu as exigências legais para se viabilizar. Uma exceção aberta a um partido ou a uma personagem política pelo tribunal superior que cuida de eleições seria um precedente da maior gravidade.
Desde que rompeu com o Partido Verde, Marina teve quase três anos para estruturar a sua legenda. Nesse tempo, produziram-se quilômetros de perorações sobre a “nova política”, mas parece que se deixaram algumas questões práticas para mais tarde, como se essas também pudessem ser solucionadas pelas emanações demiúrgicas de Marina. E não podem. O TSE e as regras que estão aí não foram criadas para impedir a ex-senadora de organizar o seu partido. Valem também para os outros.
Lembro, caminhando para o encerramento, que Marina e os marineiros mudaram de mala e cuia para o Partido Verde. Poderiam estar lá, com tudo nos conformes. O problema é que chegaram como uma espécie de força invasora, impondo a sua vontade, na base do “ou dá ou desse”, ou “vocês aceitam ou a gente sai”. Não é um jeito muito democrático de fazer política, ainda que Marina eventualmente possa ter uma linha direta com a sabedoria universal e disponha de mecanismos que lhe permitam fazer download do divino. Do mesmo modo, cobrar que o TSE ignore a lei em nome de uma suposta legitimidade natural não é a melhor maneira de servir ao regime democrático.
A menos que se queira um TSE também sonhático…

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

REINALDO AZEVEDO DENUNCIA MAIS UMA MANOBRA POLÍTICA DO PT, NO CASO SIEMENS

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/caso-cade-siemens-expoe-a-pior-face-do-petismo-ou-de-como-o-pt-transformou-um-mal-brasileiro-numa-categoria-politica-ou-por-que-chefe-do-cade-consegue-ser-mais-petista-do-que-a-propria-dilma/

25/09/2013
 às 17:43

Caso Cade-Siemens expõe a pior face do petismo. Ou: De como o PT transformou um mal brasileiro numa categoria política. Ou: Por que chefe do Cade consegue ser “mais petista” do que a própria Dilma


O caso do Cade ilustra, com uma eloquência escandalosa, uma das misérias políticas brasileiras: o aparelhamento do estado, que foi convertido pelo PT em categoria política, numa forma de pensamento. Sim, governar com aliados é parte do jogo democrático em todo o mundo. Ocorre que, em países que atingiram um estágio avançado de civilização democrática, órgãos de estado, especialmente aqueles voltados à investigação de irregularidades ou de atentados aos direitos básicos dos cidadãos, não estão submetidos a conveniências partidárias, ao toma-lá-dá-cá, a vieses ideológicos, à guerra política… Ao contrário: esses órgãos são, na verdade, uma das fontes garantidoras do sistema. Por mais que os políticos se esfalfem em defesa desta ou daquela propostas, eles se encarregam de manter funcionando o aparato legal. Se e quando mudar, então aplicam a nova lei sem arroubos de criatividade. Nas democracias dignas desse nome, essa burocracia é conhecida por ser aborrecidamente legalista. O Brasil é certamente um dos poucos países do mundo em que até ministro do Supremo chama o triunfo da lei de “legalismo”, com sentido pejorativo.
Por aqui, tudo funciona de ponta-cabeça. O PT chegou ao poder em 2003 com uma base de apoio que presidente nenhum havia tido depois da redemocratização (Sarney, Collor, Itamar ou FHC). Num dado momento, chegou a ter um apoio parlamentar superior ao de generais da ditadura. De tal sorte plasmava a esperança de milhões de pessoas que houve uma espécie de suspensão do juízo: a Lula, tudo parecia ser permitido — e amplos setores da imprensa também caíram na fábula encantatória. Quando Antonio Palocci deixou claro que o partido havia jogado no lixo seu “programa econômico” (para felicidade geral), aí, então, Lula chegou ao topo da glória: o “homem do povo” havia se rendido à racionalidade.
Muito bem! Houvesse um bom propósito no petismo — eu sabia havia muito tempo que não, mas não era a regra —, Lula teria aproveitado a oportunidade para… nem digo “mudar o Brasil” (que isso não quer dizer nada). Já sei: Lula teria aproveitado a oportunidade para começar a corrigir, de forma pausada e metódica, alguns desatinos que infelicitam a República e, pois, os brasileiros.
Mas quê! Ao contrário: ao atingir o topo, percebeu como o estado era poroso à politização mais rasteira e podia, na verdade, ser colonizado por seu partido. Àquela altura, o PT já tinha experiência de aparelhamento até de festinha de aniversário. Consolidou a ocupação desse estado, que já havia começado bem antes, quando ainda partido de oposição. E o fez como? Por intermédio dos ditos “movimentos sociais”.
Os petistas não acreditam — e, de fato, desprezam esta concepção — que a democracia se realiza plenamente com a autonomia dos indivíduos, garantida por uma burocracia estatal estável, presente em setores essenciais que assegurem a funcionalidade do sistema. Ao contrário: o que não se realiza por intermédio do partido não vale. Nesse sentido, segue sendo um esquerdista ortodoxo. Só não é mais socialista ao velho estilo porque socialismo ao velho estilo não há mais. O de novo estilo subordina também o capital aos horizontes partidários, ainda que isso possa custar caro — a Bolsa BNDES, por exemplo. NOTA À MARGEM: o ódio à imprensa livre deriva do fato de que o partido, por enquanto ao menos, não tem sobre ela o controle que logrou ter dos demais setores. Lula não pode entender que potentados da indústria e do capital financeiro o tenham na conta de guia genial e que o jornalismo, ao menos a parte relevante, não esteja a seus pés. Sigo adiante.
Em vez da profissionalização do estado, o PT promoveu justamente o contrário. Se, vá lá, o patrimonialismo se adonava do público, subordinando-o a seus interesses, o patrimonialismo aggiornado, falando a linguagem “das massas”, das “ruas”, fez de uma ocupação igualmente perversa a condição necessária para a realização de seu projeto. Então onde está a diferença para pior no que concerne ao horizonte democrático? A antiga forma de ocupação do estado era tida pela, bem…, “vanguarda do pensamento” como algo que devesse ser superado; agora, ao contrário, considera-se o aparelhamento um ponto de chegada e um valor de resistência.
É essa concepção de poder que faz com que um sujeito como o tal Vinicius Carvalho se torne o chefe do Cade, nada menos do que o órgão que, no Brasil, deve zelar pela livre concorrência, que é, sim, um valor das democracias. Nota irônica à margem: é bom lembrar que foi o PT quem instituiu um sistema novo de construções de obras públicas para a Copa do Mundo que simplesmente jogou no lixo a Lei de Licitações.
Qual o mérito de Carvalho para estar onde está? Nenhum em particular no que concerne à competência técnica, mas um em particular no que concerne à competência política: é do PT. No cargo, a sua ação mais espalhafatosa, como se nota, tem um óbvio alcance político-partidário. Aliás, foi Lula, o chefe máximo da legenda, quem afirmou, dada a avalanche de notícias sobre o suposto cartel, que Alexandre Padilha, candidato petista ao governo de São Paulo, havia “entrado no jogo”.
Quando se diz que o Cade atuou, nesse caso, como polícia política, não se trata de mero exagero retórico. Esse é um procedimento-padrão das repúblicas bolivarianas, o que o Brasil ainda não é — ou o é nos limites do que a institucionalidade que resiste permite. Vejam o caso de senador boliviano Roger Pinto Molina, que está no Brasil — depois de ter conseguido se proteger da atuação sórdida do Itamaraty nesse caso, graças à atuação decente do diplomata Eduardo Saboia. Do que o acusa o governo Evo Morales? De corrupção, claro! Afinal, em tese, na Bolívia, não é proibido se opor ao governo central. Não agem de modo diferente os presidentes da Argentina, da Venezuela, do Equador ou da Nicarágua.
Não estou a dizer, reitero, que nada de errado se deu na relação entre Metrô-CPTM e a Siemens. Que tudo seja investigado! Mas as evidências de que temos um órgão do estado a atuar para atender a interesses de um partido gritam de forma escandalosa. Numa democracia mais civilizada, é evidente que o tal Carvalho não permaneceria cinco minutos no cargo depois da revelação do episódio. Por aqui, não! O rapaz ainda tenta usar a revelação em seu favor. Indagou por que ele teria escondido a coisa de caso pensado se, agora, a revelação lhe traz problemas. A pergunta seria a de um estúpido não fosse a de um espertalhão: escondeu justamente porque a revelação lhe traria… problemas.
A questão é muito mais grave do que parece. Pouco me importa se diz respeito ao PSDB, a A ou a Z. Diz respeito ao estado brasileiro. Trata-se de saber se um órgão de estado pode exercer esse papel. Não deixa de ser curioso que esse escândalo venha à luz no mesmo dia em que Dilma Rousseff deita aquela falação meio ridícula na ONU sobre espionagem (ainda volto ao tema). Por aqui, em solo brasileiro, um órgão que tem a função de zelar pela qualidade da nossa democracia atua como polícia política. Dê o exemplo, governanta! Bata na mesa, diga que isso é inaceitável, que a senhora não é Obama e demita o dito-cujo.
Mas ela vai fazê-lo, certo? Afinal, mais Carvalho do que Dilma representa o poder petista. Ela é ainda expressão de um “atraso”, que o partido sonha em superar um dia: eleição. Ele não! Ele é um quadro que tem de estar onde está simplesmente porque é do partido.
Por Reinaldo Azevedo

domingo, 22 de setembro de 2013

OBITUÁRIO: CUTE

Faleceu, ontem, 21/09/20113, Cute, filho de Artur Padeiro. 
Padeiro como o seu pai Artur, trabalhou muitos anos, até se aposentar, com nossa família. 
Hoje seu filho Gilmar trabalha conosco na Panificadora Rick, também como padeiro. É a continuidade desta família no ramo.
Cute, entretanto, tornou-se um notório itiruçuense como goleiro do grande time Cruzeiro, nos anos de 1960, liderado, nos bastidores, por Asterino Sapateiro.
O Cruzeiro foi o time de massa de Itiruçu. Levava ao antigo Estádio José Inácio Pinto, (destruído pelo prefeito Wagner Novaes) multidões, nas tardes de domingo.

http://fazendatiririca.blogspot.com.br/2011/03/futebol-das-antigas.html



domingo, 1 de setembro de 2013

E não é que o médico cubano ainda reclamou da nossa infraestrutura hospitalar?

http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/saude/e-nao-e-que-o-medico-cubano-ainda-reclamou-da-nossa-infraestrutura-hospitalar/


 POR RODRIGO CONSTATINO


E não é que o médico cubano ainda reclamou da nossa infraestrutura hospitalar?

Deu na Folha: Governo brasileiro precisa melhorar infraestrutura de hospitais, diz médico cubano
O médico cubano Juan Hernandes, que desembarcou em Fortaleza na tarde deste domingo (25) para participar do programa Mais Médicos, disse que o governo brasileiro precisa melhorar a infraestrutura nos hospitais de municípios do interior.
“O governo vai ajudar, o governo tem que ajudar”, afirmou, quando questionado sobre a falta de recursos e equipamentos em hospitais da rede pública de saúde. Ao tomar ciência das condições da saúde brasileira, Hernandes afirmou ter confiança na capacidade do governo brasileira em melhorá-las.
Um dos argumentos dos médicos que se opõem a vinda de estrangeiros ao país é que o problema não é falta de profissionais, mas de infraestrutura de atendimento em cidades do interior.
[...]
Ele mesmo já trabalhou em regiões pobres da Bolívia e Venezuela. Quando questionado sobre o salário que receberá, o médico disse que quer “apenas o suficiente para sobreviver”.
Os R$ 10 mil mensais da bolsa do programa não serão repassados diretamente aos médicos, mas ao governo cubano, que fará a distribuição. A gestão Dilma diz que, em outras parcerias, Cuba costuma repassar de 25% a 40% do total –que, no Brasil, seria de R$ 2.500 a R$ 4.000.
Nós, brasileiros, sabemos que a infraestrutura é realmente caótica, e essa é uma das principais reclamações dos próprios médicos. Mas não deixa de ser curioso o cubano ter feito tal crítica: se ele fizer a mesma crítica em Cuba, seu país, ele vai preso. E lá as condições hospitalares fazem as nossas parecerem razoáveis, mesmo do interior!
Além disso, é uma afronta à nossa inteligência esses médicos declararem que não vieram pelo dinheiro, e sim por altruísmo. Não há altruísmo sem liberdade de escolha! Ninguém pode praticar um ato moralmente louvável sob a mira de uma arma.
Eles são escravos da família Castro, mandados para cá como produtos de exportação da ditadura, e obrigados a repetir mentiras. Tudo isso é muito absurdo. E nosso governo ainda faz esse jogo de cena, fingindo que não está fazendo o que está fazendo: alugando escravos de um senhor feudal por meio bilhão de reais por ano, do nosso dinheiro!

"Nossa medicina é quase de curandeirismo", diz doutor cubano

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/medico-cubano-diz-que-medicina-em-seu-pais-e-quase-curandeirismo

Mais Médicos

"Nossa medicina é quase de curandeirismo", diz doutor cubano

Gilberto Velazco Serrano, de 32 anos, conta por que, em 2006, desertou de uma missão de seu país na Bolívia - na qual os médicos eram vigiados por paramilitares

Aretha Yarak
O cubano Gilberto Velazco Serrano, de 32 anos, é médico. Na ilha dos irmãos Castro ele aprendeu seu ofício em meio a livros desatualizados e à falta crônica de medicamentos e de equipamentos. Os sonhos de ajudar os desamparados bateu de frente, ainda durante sua formação universitária, com a dura realidade de seu país: falta de infraestrutura, doutrinação política e arbitrariedade por parte do governo. "É triste, mas eu diria que o que se pratica em Cuba é uma medicina quase de curandeirismo”, diz  Velazco. 
Ao ser enviado à Bolívia em 2006, para o que seria uma ação humanitária, o médico se viu em meio a uma manobra política, que visava pregar a ideologia comunista. “A brigada tinha cerca de 10 paramilitares, que estavam ali para nos dizer o que fazer”. Velazco não suportou a servidão forçada e fugiu. Sua primeira parada foi pedir abrigo político no Brasil, que permitiu sua estada apenas de maneira provisória. Hoje, ele mora com a família em Miami, nos Estados Unidos, onde tem asilo político e estuda para revalidar seu diploma. De lá, ele concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA:
Como os médicos são selecionados para as missões?
Eles são obrigados a participar. Em Cuba, se é obrigado a tudo, o governo diz até o que você deve comer e o que estudar. As brigadas médicas são apenas uma extensão disso. Se eles precisam de 100 médicos para uma missão, você precisa estar disponível. Normalmente, eles faziam uma filtragem ideológica, selecionavam pessoas alinhadas ao regime. Mas com tantas colaborações internacionais, acredito que essa filtragem esteja menos rígida ou tenha até acabado.
Como foi sua missão?
Fomos enviados 140 médicos para a Bolívia em 2006. Disseram que íamos ficar no país por três meses para ajudar a população após uma enchente. Quando cheguei lá, fiquei sabendo que não chovia há meses. Era tudo mentira. Os três meses iniciais viraram dois anos. O pior de tudo é que o grupo de 140 pessoas não era formado apenas por médicos - havia pelo menos 10 paramilitares. A chefe da brigada, por exemplo, não era médica. Os paramilitares estavam infiltrados para impedir que a gente fugisse.
Paramilitares?
Vi armas dentro das casas onde eles moravam. Eles andavam com dinheiro e viviam em mansões, enquanto nós éramos obrigados a morar nos hospitais com os pacientes internados. Quando chegamos a Havana para embarcar para a Bolívia, assinamos uma lista para registro. Eram 14 listas com 10 nomes cada. Em uma delas, nenhum dos médicos pode assinar. Essa era a lista que tinha os nomes dos paramilitares.
Como era o trabalho dos paramilitares?
Não me esqueço do que a chefe da brigada disse: “Vocês são guerrilheiros, não médicos. Não viemos à Bolívia tratar doenças parasitárias, vocês são guerrilheiros que vieram ganhar a luta que Che Guevara não pode terminar”. Eles nos diziam o que fazer, como nos comportar e eram os responsáveis por evitar deserções e impedir que fugíssemos. Na Bolívia, ela nos disse que deveríamos estudar a catarata. Estávamos lá, a priori, para a atenção básica – não para operações como catarata. Mas tratar a catarata, uma cirurgia muito simples, tinha um efeito psicológico no paciente e também na família. Todos ficariam agradecidos à brigada cubana.
Você foi obrigado a fazer algo que não quisesse?
Certa vez, eu fui para Santa Cruz para uma reunião, lá me disseram que eu teria de ficar no telefone, para atender informações dos médicos e fazer estatísticas. O objetivo era cadastrar o número de atendimentos feitos naquele dia. Alguns médicos ligavam para passar informações, outros não. Eu precisava falar com todos, do contrário os líderes saíam à caça daquele com quem eu não havia conversado. Quando terminei o relatório, 603 pacientes tinham sido atendidos. Na teoria, estávamos em 140 médicos na Bolívia, mas foi divulgado oficialmente que o grupo seria de 680. Então como poderiam ter sido feitas apenas 603 consultas? Acabei tendo que alterar os dados, já que o estabelecido era um mínimo de 72 atendimentos por médico ao dia. Os dados foram falsificados.
Como é a formação de um médico em Cuba?
Muito ruim. É uma graduação extremamente ideologizada, as aulas são teóricas, os livros são velhos e desatualizados. Alguns tinham até páginas perdidas. Aprendi sobre as doenças na literatura médica, porque não tinha reativo de glicemia para fazer um exame, por exemplo. Não dava para fazer hemograma. A máquina de raio-X só podia ser usada em casos extremos. Os hospitais tinham barata, ratos e, às vezes, faltava até água. Vi diversos pacientes que só foram medicados porque os parentes mandavam remédios dos Estados Unidos. Aspirina, por exemplo, era artigo raro. É triste, mas eu diria que é uma medicina quase de curandeiro. Você fala para o paciente que ele deveria tomar tal remédio. Mas não tem. Aí você acaba tendo que indicar um chá, um suco.
Como era feita essa "graduação extremamente ideologizada" que o senhor menciona?
Tínhamos uma disciplina chamada preparação militar. Ficávamos duas semanas por ano fora da universidade para atender a essa demanda. Segundo o governo cubano, o imperialismo iria atacar a ilha e tínhamos que nos defender. Assim, estudávamos tudo sobre bombas químicas, aprendíamos a atirar com rifle, a fazer maquiagem de guerra e a nos arrastar no chão. Mas isso não é algo exclusivo na faculdade de medicina, são ensinamentos dados até a crianças.
Como é o sistema de saúde de Cuba?
O país está vivendo uma epidemia de cólera. Nas últimas décadas não havia registro dessa doença. Agora, até a capital Havana está em crise. A cólera é uma doença típica da pobreza extrema, ela não é facilmente transmissível. Isso acontece porque o sistema público de saúde está deteriorado. Quase não existem mais médicos em Cuba, em função das missões.
Por que você resolveu fugir da missão na Bolívia?
Nasci em Cuba, estudei em Cuba, passei minha vida na ilha. Minha realidade era: ao me formar médico eu teria um salário de 25 dólares, sem permissão para sair do país, tendo que fazer o que o governo me obrigasse a fazer. Em Cuba, o paramédico é uma propriedade do governo. A Bolívia era um país um pouco mais livre, mas, supostamente, eu tinha sido enviado para trabalhar por apenas três meses. Lá, me avisaram que eu teria de ficar por dois anos. Eu não tinha opção. Eram pagos 5.000 dólares por médico, mas eu recebia apenas 100 dólares: 80 em alimentos que eles me davam e os 20 em dinheiro. A verdade é que eu nunca fui pago corretamente, já que médico cubano não pode ter dinheiro em mãos, se não compra a fuga. Todas essas condições eram insustentáveis.
Você pediu asilo no Brasil?
Pedi que o Brasil me ajudasse no refúgio. Aleguei que faria o Revalida e iria para o Nordeste trabalhar em regiões pobres, mas a Polícia Federal disse que não poderia regularizar minha situação. Consegui um refúgio temporário, válido de 1 de novembro de 2006 a 4 de fevereiro de 2007. Nesse meio tempo, fui à embaixada dos Estados Unidos e fui aprovado.
Após a sua deserção, sua família sofreu algum tipo de punição?
Eles foram penalizados e tiveram de ficar três anos sem poder sair de Cuba. Meus pais nunca receberam um centavo do governo cubano enquanto estive na Bolívia, mas sofreram represálias depois que eu decidi fugir.
Quando você foi enviado à Bolívia era um recém-formado. A primeira leva de cubanos no Brasil é composta por médicos mais experientes...
Pelo o que vivi, sei que isso é tudo uma montagem de doutrinação. Essas pessoas são mais velhas porque os jovens como eu não querem a ditadura. Eu saí de Cuba e não voltei mais. No caso das pessoas mais velhas, talvez eles tenham família, marido, filhos em Cuba. É mais improvável que optem pela fuga e deixem seus familiares para trás. Geralmente, são pessoas que vivem aterrorizadas, que só podem falar com a imprensa quando autorizadas.
Os médicos cubanos que estão no Brasil deveriam fazer o Revalida?
Sim. Em Cuba, os médicos têm de passar por uma revalidação para praticar a medicina dentro do país. Sou favorável que os médicos estrangeiros trabalhem no Brasil, mas eles precisam se adequar à legislação local. Além do mais, a formação médica em Cuba está muito crítica. Eu passei o fim da minha graduação dentro de um programa especial de emergência. A ideia era que eles reduzissem em um ano minha formação, para que eu pudesse ser enviado à Bolívia. O governo cubano está fazendo isso: acelerando a graduação para poder enviar os médicos em missões ao exterior.

sábado, 13 de julho de 2013

Daniel Dantas pagou R$ 10 milhões para tornar-se sócio de João Gilberto

O músico se associou ao financista num negócio inédito na indústria fonográfica brasileira

MARCELO BORTOLOTI - em Época


O CANTOR SAI DE CENA...
O músico João Gilberto. Agora ele divide com Daniel Dantas a administração da própria obra (Foto: Tuca Vieira/Folhapress)
O gênio da bossa nova João Gilberto é conhecido por sua excentricidade. Aos 82 anos, vive recluso em seu apartamento. Dorme durante o dia e fica acordado à noite, quando cria ao violão seus arranjos musicais. Praticamente não recebe visitas e não sai de casa nem para fazer as refeições, que pede por telefone. Em vez de comprar ternos, coleciona pijamas. Com essa rotina modesta e aparentemente desconectada do mundo, é difícil imaginá-lo envolvido em tramas financeiras. Só que João Gilberto, às vezes, surpreende. No dia 5 de abril deste ano, ele foi protagonista de uma jogada milionária. O músico se associou a seu conterrâneo, o financista baiano Daniel Dantas, num negócio inédito na indústria fonográfica brasileira. Segundo o contrato, a que ÉPOCA teve acesso com exclusividade, Dantas adiantou a ele R$ 10 milhões. Como contrapartida, embolsará metade de uma indenização que João Gilberto tem a receber da gravadora EMI e poderá explorar comercialmente quatro discos gravados no auge da bossa nova, ainda em disputa judicial.

O negócio surgiu depois de uma vitória que João Gilberto obteve na Justiça no ano passado, em ação contra a gravadora EMI. Foi o maior processo que ganhou em sua carreira, depois de enfrentar uma longa batalha jurídica. Ele tinha 26 anos quando foi contratado pela extinta Odeon, subsidiária da EMI. Entre 1958 e 1963, gravou os discos que hoje são considerados obras-primas da bossa nova e difundiram a batida inconfundível de seu violão para o mundo –Chega de saudade, O amor, o sorriso e a flor e João Gilberto. Em 1988, a EMI lançou, sem autorização dele, o CD O mito, com uma coletânea remixada de músicas daqueles discos anteriores. Para João Gilberto, foi uma inaceitável mutilação de seu trabalho. Ele rompeu relações com a EMI e entrou com um processo, pedindo que o CD fosse retirado do mercado. Somente em 2012 ele obteve uma vitória no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O STJ estipulou que João Gilberto deveria receber, a título de indenização, 24% do valor dos CDs vendidos, com correção monetária. A definição do montante ainda é motivo de disputa. Os advogados da EMI afirmam que o valor a pagar é R$ 1,2 milhão. Os de João Gilberto afirmam que são R$ 100 milhões.
Pelo contrato assinado em abril, Dantas ficará com metade dessa indenização. Caberá a João Gilberto a outra metade, da qual deverá descontar os R$ 10 milhões que recebeu adiantado. A P.I. Participações, empresa de Dantas, coordenará as estratégias jurídicas e comerciais relacionadas ao processo. Conceberá iniciativas para, usando as próprias palavras do contrato, “maximizar os retornos” da ação judicial. No contexto do atual mercado, uma indenização de R$ 100 milhões parece pouco factível – isso equivale a quase um terço de todo o faturamento da indústria fonográfica brasileira no ano passado. Mas Dantas, que não joga para perder, muito provavelmente terá lucro no negócio. Além do processo já ganho, poderá ajuizar novas ações no Brasil ou no exterior, relativas ao uso indevido das gravações de João Gilberto feitas por empresas ligadas à EMI.
A parte mais peculiar do contrato diz respeito aos LPs gravados nas décadas de 1950 e 1960. Nas últimas semanas, a imprensa tem noticiado seguidamente a briga de João Gilberto pela devolução das gravações originais, que estavam em poder da EMI. Quem está por trás dessa estratégia é a empresa de Dantas. Pelo contrato, ela deveria usar “seus melhores esforços” para reaver as matrizes. Depois, deveria tentar transferir também os direitos autorais para João Gilberto. Hoje, esses discos estão fora de catálogo, porque os direitos autorais pertencem tanto à EMI quanto a João Gilberto, e não há acordo entre as partes para relançá-los. Se a transferência der certo, Dantas poderá vender as gravações no futuro e ficará com 60% do lucro obtido com a venda.

...E O FINANCISTA ENTRA NA OPERAÇÃO
Daniel Dantas e um fragmento do contrato assinado com João Gilberto. Em troca do adiantamento de R$ 10 milhões, Dantas ficará com metade de uma indenização que João Gilberto deverá receber e poderá explorar comercialmente os álbuns seminais da bossa nova (Foto: Elso Junior/ Estadão Conteúdo)

 O primeiro passo nessa direção foi dado duas semanas depois da assinatura do contrato. Os advogados Flávio Galdino e Rafael Pimenta, em nome de João Gilberto, entraram com uma ação contra a EMI, pedindo a guarda das fitas originais. No dia 20 de maio, eles conseguiram retirar as fitas da gravadora e transferi-las para uma empresa de confiança de João Gilberto. Agora, o material passará por perícia. O uso comercial dessas gravações ainda será objeto de disputa. O contrato já prevê que os possíveis dividendos serão administrados por uma companhia de capital aberto, criada por João Gilberto, cujas ações serão divididas entre ele e a empresa de Dantas. A sociedade entre o músico e o financista – ou seus respectivos herdeiros – valerá enquanto durarem os direitos autorais dessas obras.
Pelo acordo, João Gilberto deverá contratar os profissionais que julgar adequados para produzir uma nova remasterização dos LPs. Dantas terá mandato amplo para usufruir essas gravações e até negociá-las para fins publicitários. Nesse caso, João Gilberto só poderá vetar o uso se houver associação de sua imagem com empresas que fabriquem bebidas alcoólicas, cigarros, armas ou agrotóxicos. Pelo contrato, ele também precisará da autorização de Dantas se quiser liberar essas gravações por vontade própria, de forma gratuita ou paga.
O documento diz que foi João Gilberto quem procurou Dantas para propor a associação. Por um motivo concreto: dificuldades financeiras. “Os atos praticados pela EMI Brasil (...) levaram João Gilberto a viver em péssima situação financeira, impedindo que ele concentrasse sua atenção nas atividades da indústria fonográfica, agravando seus prejuízos”, lê-se no contrato. O adiantamento de R$ 10 milhões permitirá a ele sanear suas contas e viver tranquilamente, sem ficar à espera da indenização na Justiça, já que a fase de execução do processo poderá levar anos. “João Gilberto precisa de recursos para viver com dignidade e tranquilidade, podendo, assim, concentrar sua atenção e foco nas atividades em que é mestre”, diz o contrato
A situação financeira de João Gilberto é motivo recorrente de especulação. Em 1990, notícias publicadas por diversos jornais já sugeriam que ele estava num estado de pré-falência, com seu patrimônio reduzido a um Monza ano 1987. Uma informação aparentemente incompatível com os cachês milionários que costumava receber. Até hoje ele não tem apartamento próprio. Mora de aluguel e paga R$ 4.500 mensais. Suas principais fontes de renda são os shows e a venda de discos. João Gilberto não se apresenta desde 2008. Os indícios de complicação financeira aumentaram.
Em 2010, ele assinou com a empresa Tom Maior um contrato para fazer duas apresentações, no Rio e em São Paulo. Recebeu um adiantamento de R$ 500 mil. Os shows foram cancelados, mas João Gilberto não devolveu o dinheiro e é cobrado na Justiça. Em 2011, João Gilberto assinou com o produtor baiano Maurício Pessoa outro contrato para fazer uma série de shows. Quem intermediou o negócio foi Cláudia Faissol, mãe de sua filha caçula e uma das poucas pessoas que têm acesso a ele. João Gilberto recebeu um adiantamento de R$ 210 mil. Os shows não foram realizados, e o dinheiro também não foi devolvido. “Já fizemos duas reuniões para tratar da devolução desse dinheiro, mas não houve avanço. Temos de tomar as medidas cabíveis”, diz Maurício Pessoa.
Diante desse tipo de ameaça, o acordo com Dantas soa como um resgate financeiro. Quem ajudou a costurá-lo foi o advogado Marcos José Santos Meira. Filho de Castro Meira, ministro do Superior Tribunal de Justiça, foi ele quem ajudou João Gilberto a ganhar a causa contra a EMI no ano passado. Assim como Dantas e João Gilberto, ele também é baiano e conheceu o artista por meio de amigos em comum, em 2008. Meira foi advogado do ex-ministro José Dirceu num caso de improbidade administrativa na Casa Civil, em 2005. Dois anos depois, foi condenado pela Comissão de Valores Mobiliários por uso de informação privilegiada, durante o processo de compra da Varig pela Gol. Ele não quis falar sobre o contrato. “Preciso conversar antes com João, mas só vou encontrá-lo na semana que vem”, diz.
João Gilberto não dá entrevistas. Mesmo pessoas ligadas a ele sabem pouco de sua vida. Para o crítico e produtor musical Zuza Homem de Mello, ele vive exclusivamente para sua arte. Não se preocupa com questões materiais.“Negociações envolvendo dinheiro são conduzidas pelas pessoas que o cercam”, diz. João Gilberto, sabe- se agora, tem bons advogados. Procurada por ÉPOCA, a assessoria do grupo Opportunity, de Dantas, confirmou as informações da reportagem. “Não é de hoje que o Opportunity investe em cultura. João Gilberto nos procurou e decidimos apoiá-lo para que ele continue se dedicando a sua música”, diz a assessoria, fazendo eco às palavras do contrato.