sábado, 17 de março de 2018

O RÁDIO E ITIRUÇU Por Miguel Peixoto


                                           O RÁDIO E ITIRUÇU
Por Miguel Peixoto

 Saudades por que não fogem de mim? É Um Combustível forte que me alimenta.
Tenho uma linda recordação da chegada das famosas caixas amarelas que começaram a chegar a nossa amada terra. Para alegrar o nosso povo querido.
O rádio pela primeira vez que vi e ouvi foi o do Saudoso Moacir o grande mecânico, estavam transmitindo a Copa do Mundo de 1950, o referido rádio era alimentado pela bateria de carro, o Rádio foi um sucesso, mas a copa do Mundo de 1950 foi uma tragédia lembrada até hoje.
Logo após o Sr. Ludovico Farias comprou também um rádio, o sucesso era tão grande que logo Sr Vivaldo Bastos, Sr.  Jeir Magalhães, também instalaram seus rádios.
Também me recordo o  Sr. Manoel Cerqueira, comprou um rádio que era alimentado por uma bateria de carro, que utilizava o Famoso cata ventos, pois ao girar ia fazendo movimentar um Dínamo, que por sua vez carrega a bateria de carro, para alimentar o precioso  rádio do nosso amigo e saudoso  Manoel Cerqueira.
Mas dois fatos relacionados jamais esqueci. O primeiro era a Novela o Direito de Nascer que fazia um grande sucesso, então o Sr. Vivaldo Bastos, colocava numa árvore em frente de sua casa um alto falante que vinha do seu rádio, para o povo ouvir a novela pois a sua casa não cabia tanta gente, algumas mulheres coravam com os acontecimentos que a novela apresentava.
Os personagens Maria Helena a mãe, Alberto Limonta o Filho, o Pai era Dom Alfredo, e a majestosa Mamãe Dolores fazia o povão chorar, com dificuldades para criar o Albertinho.
Pois teve que fugir com o menino porque  o avô Dom Rafael mandou o criado matar a criança.
O segundo fato era meu Saudoso e querido Juca Nunes comprou também um rádio e as quartas feiras as 20,00 horas transmitia o grande programa de Luiz Gonzaga.
Por isso eu pergunto aos conterrâneos, se vale a pena lembrar estes fatos para contar aos filhos queridos da minha terra?
                                               Miguel Peixoto

segunda-feira, 26 de junho de 2017

ZÉ FERREIRA UMA LENDA - por Miguel Peixoto

Zé Ferreira sentado na porta da sua oficina na rua da Lancha.
Foto do Itiruçuonline


ZÉ FERREIRA UMA LENDA

Na nossa querida terra, pelo menos quando eu era criança, não havia diversões para a turma, muitos empinavam pipa, que nos chamávamos de raia, pião, roda de pneu, brincar de piculas.
De vez em quando aparecia uma tourada, circo ou mesmo um cinema de um francês que aparecia na nossa terrinha amada.
Mas havia algo que marcou nossa infância, foram os altos falantes, um do PSD tendo como locutor o saudoso Pedrinho, e o outro da UDN, quanta rivalidade nas crônicas políticas no tempo das eleições, por volta do ano de 1946.
Mas o povão esperava sempre o discurso inflamado do Sr. José Ferreira. Perdoem-me os parentes, mas era certo que ele só tomava banho no tempo das eleições, quando lhe ofereciam uma roupa legal, e era o discurso mais bonito, depois do compadre Vivaldo Bastos.
Naquele tempo se dizia que o Zé Ferreira ao assumir o microfone, do PSD, incorporava o espírito de TARCISIO VIEIRA DE MELO, um grande orador da época.
Quando chegava a hora de ele assumir o microfone, dizia: “Aqui está O CABOCLO DOS PEITOS DE BRONZE”.
O Zé Ferreira era uma criatura inteligente, ele começou a juntar ossos de boi dentro de sua casa, cheiravam mal, os vizinhos reclamavam, mas ele sempre dizia: “UM DIA ESSES OSSOS SECOS VÃO VALER MUITO”.
O tempo passou e um dia chegou um caminhão em Itiruçu, comprando ossos para fazer ração, então o Caboclo dos peitos de bronze... Lavou a jega!!!
Conta-se que certo dia um senhor da roça trouxe uma espingarda para consertar, e o referido senhor perguntou ao Zé Ferreira: “Seu Zé o senhor não fica agoniado com esta roupa suja, rasgada e fedorenta?”.
O Zé lhe respondeu “não perguntei se sua roça estava limpa ou suja, se estava precisando limpar ou não”.

        Miguel Peixoto, de São Paulo.  

sexta-feira, 23 de junho de 2017

COMO COMEÇOU A FESTANÇA DO SÃO PEDRO DE ITIRUÇU - Segundo Miguel Peixoto


FOGUEIRA, DOCE E COMIDAS


Na Rua das Flores havia uma padaria do Sr. Pedro Ribeiro, por volta do ano de 1946, fim da II Grande Guera, no local onde posteriormente Juca Nunes também colocou seu estabelecimento comercial.

Pedro Ribeiro pai de Pedrinho, Leleu e outros, festejava o São Pedro em homenagem ao seu nome.

Fazia uma grande fogueira e colocava o ramo no meio dela; pendurado havia muitos prêmios: Goiabada, Sardinha, garrafa de Crush e até dinheiro colocava em uma latinha e fechava.

Quando o ramo ia caindo Sr Pedro acendia uma espada, e fazia aquele barulhão, muito fogo e a molecada saia sapecada as vezes.


Na verdade o Pedro Ribeiro fazia duas fogueiras uma no São João e outra no São Pedro devido sua devoção com o Santo, já que ele tinha o mesmo nome. Após a sua morte Mamãe Moça continuou fazendo os festejos apenas no São Pedro já que ele é o padroeiro das viúvas.

Antes uma semana ela chamava Tidinha, Martinha parteira e outras para ajudar a fazer os doces e salgados. 

Aqueles biscoitinhos de goma cocada de coco, galinha assada, porco e até peru.

Então na véspera da comemoração o Tõezinho me chamou para nos fazermos um assalto no quarto onde estavam guardando as preciosidades.

Empurramos a porta e começava o assalto enchíamos os bolsos de doces e não parávamos de comer, ate uma galinha assada nos traçamos.

Nisto entrou  a Rita e nos viu debaixo da mesa, que flagrante!!!

Chamou Mamãe Moça que tratou logo de dar uma surra no Tõezinho e Mandou Rita me levar para casa para receber a minha recompensa.

Como sempre a bainha de facão funcionou direitinho nas minhas canelas, entretanto eu ainda estava com os bolsos cheios de biscoito de goma, após chorar bastante comecei a comer o que ainda me restava.

Miguel Peixoto



quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O ESCOLINHA DE UPABUÇU

FOTO ENVIADA POR JOSIEL UMBURANAS:

Em Pé: Evaldo Farias (vice-presidente), Raimundo Lira (presidente), Maria Ester (Porta-bandeira), Josiel Umburanas (técnico), Vade França, Valdo Crente, Elísio (filho de Elpídio Silva), Adalberto (filho do Cabo Joviniano), Nélson Nogueira, Barin (gandula) Domingão, Damião Umburanas, Zeca de Mateus, Alves (da Vitória), Pichurunga e Lua M(massagista); agachados: Dandá, Nativo Umburanas, Mocinho (segundo goleiro, da Vitória), Edgar, Braz Pira e Dozinho (da Vitória)

Este Time ficou famoso em Itiruçu. No campeonato municipal de 1966 perdeu duas vezes de 10 a 0: para o Estudante e para Star. Também foi goleado pelo São Paulo por 9 a 3. Outro episódio lembrado até hoje foi a trombada de Pichurunga com o alambrado de barrotes de madeira do Estádio José Inácio Pinto: os barrotes quebraram e Pichurunga continuou jogando como se nada tivesse acontecido.
Apesar de não ser um primor na técnica o time time tinha a simpatia da maioria dos itiruçuenses. Não teve nenhum jogador expulso durante a competição e levou o título de Time Mais Disciplinado, a Taça Fair Play.
Também compunham a equipe como jogadores e diretores, Omar Ribeiro e Antonio Scaldaferri.


Obs.: O transporte dos jogadores de Upabuçu para Itiruçu, e vice-
versa, era patrocinado pelo Sr. José da Silva Nunes (Juca Nunes),
 numa camionete FORD, de sua propriedade. 
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sábado, 28 de junho de 2014

NEYMAR NÃO JOGOU NADA. POR ISSO O BRASIL SOFREU.

Ficou evidente neste jogo que o Brasil precisa de Neymar, assim como o vampiro precisa de sangue para continuar vivo.
Vamos lá Neymar, o Brasil precisa de você.

BRASIL NÃO JOGOU BEM. MAS CHILE NÃO MERECIA GANHAR.

A seleção brasileira fez a pior partida da Copa 14.
O Chile, também, não jogou nada. Por isso não ganhou.
Ganhamos, nos pênaltis. Seria injustiça a seleção ser eliminada neste jogo.
Júlio César está redimido da derrota contra a Holanda na copa de 2010. Acho que o gol sofrido hoje contra o Chile ele poderia ter evitado. Mas nos pênaltis ele foi o herói do jogo.
Prá frente Brasil!

terça-feira, 24 de junho de 2014

ENFRENTAR O CHILE É BEM MELHOR QUE ENCARAR A HOLANDA.

O Chile é nosso freguês. Ganhamos deles, inclusive, na Copa de 1962, realizada em campos andinos. Ganhamos dos donos da casa por 4 a 2, com 2 gols de Garrincha e 2 gols de Vavá. Naquele anos fomos bicampeões mundiais de futebol.
A Holanda, bem, é osso duro de roer. Perdemos em 74 na copa da Alemanha por  2 a 0 e também fomos eliminados em 2010 na África do Sul, depois de estar ganhando, perdendo por 2 a 1. Ganhamos em na copa do Estados Unidos em 1994 por 3 a 2, gols de Romário, Bebeto e Branco cobrando falta e na copa da França em 1998, nos penaltis, depois de empatar no tempo regulamentar por 1 a 1, gol de Ronaldo, o Fenômeno.
Pelo retrospecto o Chile é bem melhor.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

COPA DO MUNDO: BRASIL VENCE CAMARÕES POR 4 A 1.

O futebol é a única atividade que une todos os brasileiros de norte a sul, de leste a oeste.
Veja só a felicidade estampada em todas as pessoas, independe  de classe, nas telas das televisões depois de mais uma vitória da seleção.
Viva o futebol!

Ele é a liga que está formando a nação brasileira.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O GUAPURUVU DERRUBADO PELO PREFEITO WAGNER




Leitor do Fazenda Tiririca manda foto do GUAPURUVU abatido pelo prefeito Wagner.
Vejam que conjunto harmonioso a árvore fazia com suas, digamos, “colegas”.
Parece um quadro dos mais renomados pintores.
Vejam como a sombra refrescante servia para amenizar o calor escaldantes dos últimos verões.
Levará algum tempo para substituí-la. Uns 10 anos pelo menos.
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

PREFEITO DERRUBA ÁRVORE DO JARDIM COM A CUMPLICIDADE SILENCIOSA DOS AMBIENTALISTAS DE ITIRUÇU

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O prefeito Wagner Novaes permitiu a derrubada de um belo exemplar de guapuruvu, que habitava o jardim desde a época do prefeito Pedrinho. A árvore foi abatida a golpes de machado, facão e foice. O crime aconteceu no dia 13 de janeiro de 2014.
O estranho foi a completa mudez dos ambientalistas de Itiruçu. Os membros dos grupos ecológicos que infernizam a vida dos agricultores, desta vez não emitiram um pio de protesto contra o crime ambiental, cometido pelo prefeito.

GUAPURUVU: planta nativa do Brasil é derrubada do Jardim Municipal pelo prefeito Wagner Novaes

Afinal, além da beleza e sombra que proporciona bem estar à população nos dias de calor, o guapuruvu é uma planta nativa. E como todos sabem as plantas nativas são proibidas de serem derrubadas.
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

PARA 2014

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RODRIGO CONSTATINO EM SEU BLOG, http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/ , faz uma lista de desejos para 2014. Aprovo todos eles.


Que em 2014…

… o povo brasileiro possa acordar e finalmente se dar conta do mal que o PT tem feito ao país no poder;
… o Brasil seja campeão da Copa do Mundo, mas rejeite o ufanismo oportunista que virá em seguida;
… as graves acusações feitas pelo ex-aliado Romeu Tuma Jr. sejam investigadas e o “Barba” se torne réu de uma vez;
… livros ainda melhores com viés liberal ou conservador sejam lançados;
… os brasileiros vejam menos novelas e leiam mais livros;
… as mentiras da presidente Dilma não consigam mais enganar ninguém;
… os “malandros” que pegam acostamento recebam pesadas multas para aprender a respeitar as regras;
… os artistas e “intelectuais” da esquerda caviar tenham suas hipocrisias ainda mais expostas;
… todo esquerdista que defende a tese de que bandido é “vítima social” seja assaltado para sentir na pele sua estupidez;
… o tirano venezuelano caia do poder de maduro;
… os brasileiros parem de achar que a solução para a nossa educação passa por jogar mais recursos públicos no setor;
… os “médicos” cubanos trazidos como escravos tenham coragem de pedir asilo nas embaixadas americanas;
… algo efetivamente NOVO surja na política nacional dominada pela esquerda;
… o relativismo estético e moral dê lugar ao velho e bom julgamento objetivo do que é melhor ou pior;
… a meritocracia seja vista como o caminho da justiça em vez de o igualitarismo dos coletivistas invejosos;
… os investidores nas ações da Petrobras continuem a quebrar a cara para aprender que a privatização é o caminho;
… esse blog continue crescendo em taxas aceleradas e mantendo o bom nível de debates!

domingo, 22 de setembro de 2013

OBITUÁRIO: CUTE

Faleceu, ontem, 21/09/20113, Cute, filho de Artur Padeiro. 
Padeiro como o seu pai Artur, trabalhou muitos anos, até se aposentar, com nossa família. 
Hoje seu filho Gilmar trabalha conosco na Panificadora Rick, também como padeiro. É a continuidade desta família no ramo.
Cute, entretanto, tornou-se um notório itiruçuense como goleiro do grande time Cruzeiro, nos anos de 1960, liderado, nos bastidores, por Asterino Sapateiro.
O Cruzeiro foi o time de massa de Itiruçu. Levava ao antigo Estádio José Inácio Pinto, (destruído pelo prefeito Wagner Novaes) multidões, nas tardes de domingo.

http://fazendatiririca.blogspot.com.br/2011/03/futebol-das-antigas.html



domingo, 1 de setembro de 2013

E não é que o médico cubano ainda reclamou da nossa infraestrutura hospitalar?

http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/saude/e-nao-e-que-o-medico-cubano-ainda-reclamou-da-nossa-infraestrutura-hospitalar/


 POR RODRIGO CONSTATINO


E não é que o médico cubano ainda reclamou da nossa infraestrutura hospitalar?

Deu na Folha: Governo brasileiro precisa melhorar infraestrutura de hospitais, diz médico cubano
O médico cubano Juan Hernandes, que desembarcou em Fortaleza na tarde deste domingo (25) para participar do programa Mais Médicos, disse que o governo brasileiro precisa melhorar a infraestrutura nos hospitais de municípios do interior.
“O governo vai ajudar, o governo tem que ajudar”, afirmou, quando questionado sobre a falta de recursos e equipamentos em hospitais da rede pública de saúde. Ao tomar ciência das condições da saúde brasileira, Hernandes afirmou ter confiança na capacidade do governo brasileira em melhorá-las.
Um dos argumentos dos médicos que se opõem a vinda de estrangeiros ao país é que o problema não é falta de profissionais, mas de infraestrutura de atendimento em cidades do interior.
[...]
Ele mesmo já trabalhou em regiões pobres da Bolívia e Venezuela. Quando questionado sobre o salário que receberá, o médico disse que quer “apenas o suficiente para sobreviver”.
Os R$ 10 mil mensais da bolsa do programa não serão repassados diretamente aos médicos, mas ao governo cubano, que fará a distribuição. A gestão Dilma diz que, em outras parcerias, Cuba costuma repassar de 25% a 40% do total –que, no Brasil, seria de R$ 2.500 a R$ 4.000.
Nós, brasileiros, sabemos que a infraestrutura é realmente caótica, e essa é uma das principais reclamações dos próprios médicos. Mas não deixa de ser curioso o cubano ter feito tal crítica: se ele fizer a mesma crítica em Cuba, seu país, ele vai preso. E lá as condições hospitalares fazem as nossas parecerem razoáveis, mesmo do interior!
Além disso, é uma afronta à nossa inteligência esses médicos declararem que não vieram pelo dinheiro, e sim por altruísmo. Não há altruísmo sem liberdade de escolha! Ninguém pode praticar um ato moralmente louvável sob a mira de uma arma.
Eles são escravos da família Castro, mandados para cá como produtos de exportação da ditadura, e obrigados a repetir mentiras. Tudo isso é muito absurdo. E nosso governo ainda faz esse jogo de cena, fingindo que não está fazendo o que está fazendo: alugando escravos de um senhor feudal por meio bilhão de reais por ano, do nosso dinheiro!

"Nossa medicina é quase de curandeirismo", diz doutor cubano

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/medico-cubano-diz-que-medicina-em-seu-pais-e-quase-curandeirismo

Mais Médicos

"Nossa medicina é quase de curandeirismo", diz doutor cubano

Gilberto Velazco Serrano, de 32 anos, conta por que, em 2006, desertou de uma missão de seu país na Bolívia - na qual os médicos eram vigiados por paramilitares

Aretha Yarak
O cubano Gilberto Velazco Serrano, de 32 anos, é médico. Na ilha dos irmãos Castro ele aprendeu seu ofício em meio a livros desatualizados e à falta crônica de medicamentos e de equipamentos. Os sonhos de ajudar os desamparados bateu de frente, ainda durante sua formação universitária, com a dura realidade de seu país: falta de infraestrutura, doutrinação política e arbitrariedade por parte do governo. "É triste, mas eu diria que o que se pratica em Cuba é uma medicina quase de curandeirismo”, diz  Velazco. 
Ao ser enviado à Bolívia em 2006, para o que seria uma ação humanitária, o médico se viu em meio a uma manobra política, que visava pregar a ideologia comunista. “A brigada tinha cerca de 10 paramilitares, que estavam ali para nos dizer o que fazer”. Velazco não suportou a servidão forçada e fugiu. Sua primeira parada foi pedir abrigo político no Brasil, que permitiu sua estada apenas de maneira provisória. Hoje, ele mora com a família em Miami, nos Estados Unidos, onde tem asilo político e estuda para revalidar seu diploma. De lá, ele concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA:
Como os médicos são selecionados para as missões?
Eles são obrigados a participar. Em Cuba, se é obrigado a tudo, o governo diz até o que você deve comer e o que estudar. As brigadas médicas são apenas uma extensão disso. Se eles precisam de 100 médicos para uma missão, você precisa estar disponível. Normalmente, eles faziam uma filtragem ideológica, selecionavam pessoas alinhadas ao regime. Mas com tantas colaborações internacionais, acredito que essa filtragem esteja menos rígida ou tenha até acabado.
Como foi sua missão?
Fomos enviados 140 médicos para a Bolívia em 2006. Disseram que íamos ficar no país por três meses para ajudar a população após uma enchente. Quando cheguei lá, fiquei sabendo que não chovia há meses. Era tudo mentira. Os três meses iniciais viraram dois anos. O pior de tudo é que o grupo de 140 pessoas não era formado apenas por médicos - havia pelo menos 10 paramilitares. A chefe da brigada, por exemplo, não era médica. Os paramilitares estavam infiltrados para impedir que a gente fugisse.
Paramilitares?
Vi armas dentro das casas onde eles moravam. Eles andavam com dinheiro e viviam em mansões, enquanto nós éramos obrigados a morar nos hospitais com os pacientes internados. Quando chegamos a Havana para embarcar para a Bolívia, assinamos uma lista para registro. Eram 14 listas com 10 nomes cada. Em uma delas, nenhum dos médicos pode assinar. Essa era a lista que tinha os nomes dos paramilitares.
Como era o trabalho dos paramilitares?
Não me esqueço do que a chefe da brigada disse: “Vocês são guerrilheiros, não médicos. Não viemos à Bolívia tratar doenças parasitárias, vocês são guerrilheiros que vieram ganhar a luta que Che Guevara não pode terminar”. Eles nos diziam o que fazer, como nos comportar e eram os responsáveis por evitar deserções e impedir que fugíssemos. Na Bolívia, ela nos disse que deveríamos estudar a catarata. Estávamos lá, a priori, para a atenção básica – não para operações como catarata. Mas tratar a catarata, uma cirurgia muito simples, tinha um efeito psicológico no paciente e também na família. Todos ficariam agradecidos à brigada cubana.
Você foi obrigado a fazer algo que não quisesse?
Certa vez, eu fui para Santa Cruz para uma reunião, lá me disseram que eu teria de ficar no telefone, para atender informações dos médicos e fazer estatísticas. O objetivo era cadastrar o número de atendimentos feitos naquele dia. Alguns médicos ligavam para passar informações, outros não. Eu precisava falar com todos, do contrário os líderes saíam à caça daquele com quem eu não havia conversado. Quando terminei o relatório, 603 pacientes tinham sido atendidos. Na teoria, estávamos em 140 médicos na Bolívia, mas foi divulgado oficialmente que o grupo seria de 680. Então como poderiam ter sido feitas apenas 603 consultas? Acabei tendo que alterar os dados, já que o estabelecido era um mínimo de 72 atendimentos por médico ao dia. Os dados foram falsificados.
Como é a formação de um médico em Cuba?
Muito ruim. É uma graduação extremamente ideologizada, as aulas são teóricas, os livros são velhos e desatualizados. Alguns tinham até páginas perdidas. Aprendi sobre as doenças na literatura médica, porque não tinha reativo de glicemia para fazer um exame, por exemplo. Não dava para fazer hemograma. A máquina de raio-X só podia ser usada em casos extremos. Os hospitais tinham barata, ratos e, às vezes, faltava até água. Vi diversos pacientes que só foram medicados porque os parentes mandavam remédios dos Estados Unidos. Aspirina, por exemplo, era artigo raro. É triste, mas eu diria que é uma medicina quase de curandeiro. Você fala para o paciente que ele deveria tomar tal remédio. Mas não tem. Aí você acaba tendo que indicar um chá, um suco.
Como era feita essa "graduação extremamente ideologizada" que o senhor menciona?
Tínhamos uma disciplina chamada preparação militar. Ficávamos duas semanas por ano fora da universidade para atender a essa demanda. Segundo o governo cubano, o imperialismo iria atacar a ilha e tínhamos que nos defender. Assim, estudávamos tudo sobre bombas químicas, aprendíamos a atirar com rifle, a fazer maquiagem de guerra e a nos arrastar no chão. Mas isso não é algo exclusivo na faculdade de medicina, são ensinamentos dados até a crianças.
Como é o sistema de saúde de Cuba?
O país está vivendo uma epidemia de cólera. Nas últimas décadas não havia registro dessa doença. Agora, até a capital Havana está em crise. A cólera é uma doença típica da pobreza extrema, ela não é facilmente transmissível. Isso acontece porque o sistema público de saúde está deteriorado. Quase não existem mais médicos em Cuba, em função das missões.
Por que você resolveu fugir da missão na Bolívia?
Nasci em Cuba, estudei em Cuba, passei minha vida na ilha. Minha realidade era: ao me formar médico eu teria um salário de 25 dólares, sem permissão para sair do país, tendo que fazer o que o governo me obrigasse a fazer. Em Cuba, o paramédico é uma propriedade do governo. A Bolívia era um país um pouco mais livre, mas, supostamente, eu tinha sido enviado para trabalhar por apenas três meses. Lá, me avisaram que eu teria de ficar por dois anos. Eu não tinha opção. Eram pagos 5.000 dólares por médico, mas eu recebia apenas 100 dólares: 80 em alimentos que eles me davam e os 20 em dinheiro. A verdade é que eu nunca fui pago corretamente, já que médico cubano não pode ter dinheiro em mãos, se não compra a fuga. Todas essas condições eram insustentáveis.
Você pediu asilo no Brasil?
Pedi que o Brasil me ajudasse no refúgio. Aleguei que faria o Revalida e iria para o Nordeste trabalhar em regiões pobres, mas a Polícia Federal disse que não poderia regularizar minha situação. Consegui um refúgio temporário, válido de 1 de novembro de 2006 a 4 de fevereiro de 2007. Nesse meio tempo, fui à embaixada dos Estados Unidos e fui aprovado.
Após a sua deserção, sua família sofreu algum tipo de punição?
Eles foram penalizados e tiveram de ficar três anos sem poder sair de Cuba. Meus pais nunca receberam um centavo do governo cubano enquanto estive na Bolívia, mas sofreram represálias depois que eu decidi fugir.
Quando você foi enviado à Bolívia era um recém-formado. A primeira leva de cubanos no Brasil é composta por médicos mais experientes...
Pelo o que vivi, sei que isso é tudo uma montagem de doutrinação. Essas pessoas são mais velhas porque os jovens como eu não querem a ditadura. Eu saí de Cuba e não voltei mais. No caso das pessoas mais velhas, talvez eles tenham família, marido, filhos em Cuba. É mais improvável que optem pela fuga e deixem seus familiares para trás. Geralmente, são pessoas que vivem aterrorizadas, que só podem falar com a imprensa quando autorizadas.
Os médicos cubanos que estão no Brasil deveriam fazer o Revalida?
Sim. Em Cuba, os médicos têm de passar por uma revalidação para praticar a medicina dentro do país. Sou favorável que os médicos estrangeiros trabalhem no Brasil, mas eles precisam se adequar à legislação local. Além do mais, a formação médica em Cuba está muito crítica. Eu passei o fim da minha graduação dentro de um programa especial de emergência. A ideia era que eles reduzissem em um ano minha formação, para que eu pudesse ser enviado à Bolívia. O governo cubano está fazendo isso: acelerando a graduação para poder enviar os médicos em missões ao exterior.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Plebiscito - o golpe da consulta popular

Plebiscito - o golpe da consulta popular


Reportagem na edição de VEJA desta semana mostra que o PT tenta imprimir verniz democrático à ideia, mas o objetivo de plebiscito é dar mais dinheiro ao partido e instituir o voto de cabresto

Pieter Zalis
Depois de ter de recuar da tentativa desesperada de convocar uma assembleia constituinte, o governo decidiu propor a realização de um plebiscito para fazer uma reforma política. A diferença entre as propostas é que a primeira afrontava a democracia de forma explícita e a segunda é um golpe disfarçado. Ambas, porém, têm os mesmos propósitos: desviar o foco das manifestações e servir ao projeto de poder do PT. Pelos planos do governo, a consulta popular ocorreria em agosto e teria o resultado homologado no início de outubro. Assim, as regras já valeriam para as eleições de 2014. Se emplacar sua manobra, o PT terá os seguintes motivos para comemorar:
• Será o partido cujo caixa receberá mais dinheiro público. Embutido na proposta de reforma política do governo está o obsessivo desejo do PT de impor o financiamento - exclusivamente - público de campanha. Pelo modelo, pessoas e empresas continuarão a poder fazer doações, mas para um fundo, sem escolher destinatários. O dinheiro será dividido conforme a votação do partido na eleição anterior. Se o sistema for adotado em 2014, com o quadro eleitoral mais provável, Dilma terá quase 70% do bolo: 67,59%.
• A candidatura de Marina Silva estará praticamente enterrada: pelas mesmas regras, a ex-senadora, que teve 20 milhões de votos em 2010, mas que agora tenta criar um novo partido, ficaria com ínfimo 0,16% do dinheiro público. Com a campanha inviabilizada, deixaria de ameaçar a liderança de Dilma. Aécio Neves (PSDB) teria direito a 21,77% do dinheiro e Eduardo Campos (PSB), a 6,56%.
• A institucionalização do voto de cabresto. O PT defende o voto em lista fechada para o Legislativo. Por esse método, o eleitor não vota em candidatos, mas na sigla. Traduzindo: os caciques petistas indicam os candidatos a deputado e depois chamam o povo para pagar a campanha. É muita cara de pau.
• À custa dos cofres públicos, Luiz Inácio Lula da Silva aparecerá na TV como garoto-propaganda do PT. O partido planeja aproveitar o tempo dos programas de televisão destinados à discussão das questões do plebiscito para fazer propaganda do governo e atacar adversários, com o ex-presidente no comando do show.
Desde maio, o presidente do PT, Rui Falcão, tenta coletar assinaturas para apresentar esse mesmo projeto de reforma política no Congresso. O argumento que colore os cartazes é que a reforma reduziria "a força do poder econômico" nas eleições, já que acabaria com as doações de bancos e empreiteiras - apontados como os vilões da corrupção. Ocorre que, como sabe muito bem o PT, Lula é hoje o maior amigo das empreiteiras, em cujos jatos viaja e para cujos interesses faz um descarado lobby. "O maior problema de corrupção eleitoral do Brasil vem de recursos que entram pelo caixa dois", lembra o professor de direito eleitoral Carlos Gonçalves Júnior, da PUC de São Paulo. Nenhum país adota o sistema defendido pelo PT. A Dinamarca, a nação menos corrupta do mundo, não restringe o financiamento, mas fiscaliza o uso do dinheiro e pune quem o desvia - estas, sim, medidas efetivas de combate à roubalheira. Para levar ao Congresso a proposta apresentada por Falcão, o PT precisa de 1,4 milhão de assinaturas. Só conseguiu 120 000. A ideia do plebiscito não passa, portanto, de uma tentativa de driblar a falta de apoio popular à iniciativa.


Não fosse o oportunismo escancarado da proposta, a própria iniciativa do plebiscito já é uma farsa. "Nesse tipo de processo, há um risco muito grande de o povo ser usado para legitimar as posições do plantonista no poder. Ditadores sempre se valem de plebiscitos", alerta Carlos Velloso, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal. O fato de a reforma política ser um assunto complexo, com o qual a população não tem familiaridade, aumenta ainda mais o risco de a consulta popular ser manipulada a ponto de ganhar o lado que tiver contratado o marqueteiro mais competente. Por mais necessária que seja, e com isso concordam todos os partidos e todos os governos, a reforma foi um tema rarefeito nas manifestações. Os brasileiros não clamam pela reforma política, mas pela reforma ética dos políticos.